19.6.10

John Nevil Maskelyne






Johnn Nevil Maskelyne, filho de um fabricante de selas, nasceu em 22 de dezembro de 1839. Quando criança já tentava fazer o número de vários pratos girando sobre a mesa, cantava da igreja e tocava corneta. Como Robert-Houdin, iniciou-se profissionalmente como relojoeiro, tendo aos 19 anos construido seu primeiro equipamento de mágica: uma caixa com um compartimento secreto. Maskelyne colocava um anel emprestado dentro da caixa, lacrava-a e antes de entregar a caixa ao espectador, sorrateiramente se apossava do anel. O truque já era conhecido, mas a qualidade da caixa de Maskelyne, não.


(The Davenport brothers and William Fay with their spirit cabinet)

Ainda jovem, Maskelyne foi a um show dos Irmãos Davenport, cujo número de espiritismo era um sucesso. O apresentador pediu por voluntários para o truque e um deles era Maskelyne. Os voluntários examinaram a cabine, que estava no centro do palco e dentro da qual havia sinos, um violino, sinos e um tamborim, e amarraram as mãos e pés dos irmãos mediuns dentro da cabine. A cabine é trancada e as luzes apagadas. Imediatamente supostas manifestações espíritas começam a acontecer: violinos, tamborins e sinos tocam sozinhos. Mãos com luvas brancas aparecem na porta entreaberta. Espanto, medo. As luzes são acesas, a cabine é aberta e dentro estão os irmãos Davenport amarrados tal qual no início. Estupefação, assombro, palmas efuzantes.



O único que não se surpreendeu foi Maskelyne: por um golpe de luz pode ver um dos irmãos com as mãos desamarradas e tocando os instrumentos. Maskelyne conta o que viu para a plateia, mas um assistente contorna a situação, dizendo que Maskelyne devia ter se confundido.

Decidido a provar que falara a verdade, Maskelyne se junta a um conhecido mais velho que ele – Cook – e decidem repetir a mágica dos irmãos Davenport.



Após três meses, em 19 de junho de 1865, Maskelyne e Cook se apresentam no Jessop’s Garden e repetem o número dos irmãos Davenport. Cinco dias depois, o Bermingham Gazette divulga a façanha sob o título: Irmãos Davenport Superados”. De fato, a qualidade da apresentação de Maskelyne e Cook era superior a dos Davenport, e estava provado que espíritos não eram dados a fazerem shows de mágica. A fama se aproximava.

Maskelyne e Cook fazem, com sucesso, shows nas cidades vizinhas, até chegarem a Londres em 1869, inclusive para uma apresentação privada no Castelo de Bekerley para o Principe de Gales. A fama chegara.
Maskelyne e Cook criaram uma nova apresentação, inspirada em Robert-Houdin, mas superior: a levitação de uma pessoa no palco. Deu no The Times.




Maskelyne e Cook passam a se apresentar em um espaço que se tornaria lendário entre os amantes da mágica: o Egyptian Hall.






No mesmo local também estava se apresentando outro mágico – Lynn – que havia abandonado a marinha inglesa para começar a carreira de mágico na Austrália. E dentre os números de Lynn estava uma imitação da cabine espírita de Maskelyne e Cook, mas que Lynn dizia ser invenção antiga sua, fato confirmado por falsas testemunhas. E acrescentava que se tratava de um número que outros mágicos ingleses estariam imitando. Maskelyne e Cook não se deram por vencidos e publicaram um texto narrando a farsa de Lynn. E mais, desafiam qualquer um a mostrar algum registro anterior da apresentação de Lynn. Tal registro, como soer, nunca apareceu. Mas apareceu um outro mágico – Sexton – que dizia que tanto Maskelyne e Cook como Lynn estavam mentindo, pois o truque já havia sido feito por outros mágicos. O que menos importava era elucidar os fatos, pois a publicidade da disputa trouxe dividendos e fama para todos.

Maskelyne e Cook passaram a criar novos truques e a reinventar antigos, inclusive o malabarismo dos pratos que Maskelyne fazia quando jovem.

Quatro automatas foram inseridos nas apresentações: Zoe, uma robô que pintava quadros;



Fanfare e Labial, dois robôs que tocavam instrumentos; e, o mais famoso, Psycho.



Psycho adivinhava as cartas escolhidas pelo espectador, às vezes dava umas tragadas, soletrava palavras através de cartas com o alfabeto e resolvia problemas matemáticos com cartas numéricas. Maravilhou reis e rainhas da Europa. O segredo eram um sistema de ar comprimido. Psycho fez mais de 4000 apresentações, até ser aposentado e encaixotado no Museu de Londres, onde se encontra até hoje.



Maskelyne começou a implicar com os mágicos que se diziam médiuns ou telepatas – Henry Slade, Washington Irving Bishop – desvendando os truques, apresentando-os em público e testemunhando contra eles nos tribunais.

Quando não estava no palco, Maskelyne estava desenvolvendo novos truques e invenções. Maskelyne fabricou uma maquina de escrever para poder ditar as cartas para os fãs, máquinas automáticas, catracas para ônibus, mas nada que lhe trouxesse algum lucro.

E é então que Maskelyne contratou para um período de experiência mais uma pessoa para o grupo do Egyptian Hall: David Devant, um mágico com um extremo senso de negócios.




Devant fazia um blockbuster, fazendo com que a pintura de uma mulher viesse à vida.
Dez meses depois Devant era definitivamente incorporado à companhia de Maskelyne.
Em 1896 Maskelyne é convidado para conhecer a apresentação de uma nova invenção: o cinematografo dos irmãos Lumiére. Devant foi junto com Maskelyne e viu naquela novidade infindáveis utilidades para serem empregadas nos shows de mágica.



O cinematógrafo foi incorporado aos shows no Egyptian Hall, com grande sucesso, embora o aparelho usado fosse um similar de um inventor inglês, adquirido por 400 pounds, o equivalente a apenas a um mês de aluguel do equipamento dos Lumiére. Dado o sucesso, Maskelyne e Devant decidiram levar o show para uma turnê.

Cook, o velho parceiro de Maskelyne, desgostoso com a notícia de que o Egyptian Hall seria demolido para dar lugar a um edifício comercial, decide se aposentar. Maskelyne adquiriu um novo lugar – St. George’s Hall, em Longham – e para lá transfere as apresentações do Egyptian Hall, enquanto Devant continua em turnê com a companhia.






Não muito afeito com as nuances dos negócios e sem a presença de Devant, os prejuízos se avolumaram, tendo Maskelyne chamado Devant de volta, para que criassem um novo show. Maskelyne estava com 65 anos.

Maskelyne e Devant criaram um novo show – Maskelyne & Devant Mysteries – mesclando velhos truques com novidades. O show saiu em turnê pelos EUA e pela Europa, sem prejuízo da cruzada de Maskelyne contra os falsos médiuns e telepatas, o que proporcionava a necessidade da criação de novos truques. Mas a esta altura dos acontecimentos era Devant quem conduzia a maioria dos shows, inclusive perante a realeza inglesa, e ainda se desdobrava para cuidar dos negócios da companhia.




Só de St George’s Hall foram 10 anos de parceria entre Maskelyne e Devant, mas pela sobrecarga de responsabilidades Devant foi orientado pelo médico para se afastar dos negócios. Devant se afastou da companhia e fez um longo retiro no campo.
Recuperado, Devat voltou a se apresentar, mas agora sem Maskelyne, obtendo muito mais lucro do que antigamente. Devant foi um dos poucos mágicos que continuou com sua rotina de shows quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial.
Enquanto isto Maskelyne dedicava seu tempo no desenvolvimento de novos truques e ajudando na carreira de mágico do filho Nevil.

No final de julho de 1916 Maskelyne voltou ao palco e mostrou que mesmo aos 66 anos ainda dominava o ofício, inclusive do malabarismo dos vários pratos girando na mesa.
Até que em uma apresentação em maio de 1917 Maskelyne por duas vezes deixou os pratos caírem. Acabado o show, Maskelyne se retirou para seu quarto no piso superior e no dia seguinte se recusou a sair, sob pretexto de estar com indigestão. Pelos próximos dezesseis dias lutou contra uma pneumonia e um pleurisma. Em 18 de maio de 1917 Maskelyne,o fundador do show de mágica que mais tempo ficou em cartaz na história da Inglaterra, não resiste e morre.


Devant continuou em turnê, até que em uma noite de dezembro de 1919, durante uma apresentação, percebe que suas mãos estão trêmulas. Devant estava com uma doença nervosa degenerativa e se viu obrigado a se aposentar. Devant internou-se no Hospital Real de Incuráveis, em Putney, vindo a falecer algum tempo depois.

O teatro de Maskelyne – St. George Hall – continuou com seus shows de mágica mesmo após a morte do fundador, agora administrado por Nevil, filho de Maskelyne.




Com a morte de Nevil, seu irmão Clive tomou a frente dos negócios, o que incluiu uma turnê pela América do Sul. Após a turnê, Clive abandona o negócio e é substituído por Jasper, o irmão caçula.






Após algum tempo Jasper também se afasta e é substituído pelos seus irmãos John e Noel.

Até que no final de 1933 o St. George Hall é vendido para a BBC e se transforma em um estúdio de rádio.

Maskelyne foi o fundador do The Magic Circle, uma confraria de mágicos, que hoje em dia tem sua sede em Chenies Mews e é chamada de O Lar Ingles do Mistério.



Nas paredes, as fotos e cartazes de Maskelyne a tudo acompanham.

18.6.10

Automatas na Web

Graças aos deuses, velhos ofícios ainda sobrevivem neste caos tecnológico.
Vale a pena dar uma olhada no vídeo ao final de cada página desta loja francesa de autômatas.

http://www.automates-boites-musique.com/automates-musicaux-et-non-musicaux/automates-de-magie-automates-truques/

(copie e cole)

O ultimo automata é uma versão moderna da Orange Tree de Roberto-Houdin

Jean Eugéne Robert-Houdin




Jean Eugéne Robert-Houdin, o relojoeiro francês, é, com todo o mérito, aclamado o pai da mágica moderna. Robert-Houdin fez sua primeira apresentação pública em julho de 1845 usando equipamentos fabricados por ele mesmo. Mas em razão do nervosismo, a apresentação foi um fiasco, tendo ele voltado para casa arrasado. Na manhã seguinte, Robert-Houdin ele ligou para o dono do teatro e mandou que todos os seus cartazes fossem arrancados. Robert-Houdin voltou para a cama e, aliviado, dormiu o resto do dia. Mas não passava de um blefe, pois nos dias seguintes as apresentações voltaram a ocorrer normalmente: o show não podia parar.





Robert-Houdin começou apresentando autômatos (vide postagem abaixo) e alguns truques de ilusionismo, mas o que mais impressionava o público eram seus números de adivinhação.



Robert-Houdin nasceu em Blois, França, no dia 07 de dezembro de 1805, filho de um relojoeiro. Com 13 anos de idade Robert-Houdin preparou-se para iniciar os estudos de relojoaria, mas por engano pegou na biblioteca uma enciclopédia ilustrada de curiosidades e experimentos científicos, a qual devorou em poucos dias.





Já de posse do conhecimento teórico, Robert-Houdin pagou dez francos a um pedicure que fazia de hobby algumas apresentações de prestidigitação para que lhe ensinasse algumas práticas.

Aos 23 anos Robert-Houdin já era um assíduo frequentador das poucas lojas de mágicas então existentes. Após ir a um show de um famoso mágico da época – Comte – a decisão estava tomada: era aquilo que ele queria fazer profissionalmente.

Robert-Houdin passou então a frequentar todo show de mágica que estivesse sendo apresentado na região, dentre os quais os de famosos mágicos, como o italiano Bosco e o francês Philippe. (Foi na primeira apresentação de Philippe que se registrou o primeiro uso da eletricidade em um show de mágica: na abertura Philippe disparava uma arma de fogo e instantaneamente centenas de velas espalhadas pelo palco se acendiam sozinhas, através de jatos de hidrogênio e faíscas elétricas).

Philippe reacendeu o interesse de Robert-Houdin por autômatos.




Um dos primeiros autômatos utilizados por Robert-Houdin em um show foi o famoso Pastry Cook of the Palais Royal, que consistia em uma miniatura de um palácio com um confeiteiro. O espectador escolhia um bolo ou doce, e o autômato, como que por milagre, o fazia e entregava na porta do palácio em miniatura. Mais que um milagre e um engenho mecânico, a autômato trazia dentro de si, escondido, o filho caçula de Robert-Houdin.

Outro autômato famoso de Robert-Houdin era a Orange Tree (vide postagem “Automatos”).

E tambem Diabolo, que consistia em um macaco em um trapézio, sob as ordens de Robert-Houdin.

Todos estes automatos podem ser vistos no vídeo ao final.


Para poder exercer seus dons em plenitude, Robert-Houdin adquiriu seu próprio, ainda que pequeno, teatro, passando a fazer apresentações diárias. O momento culminante era a apresentação de mentalismo e adivinhação.

Provavelmente inspirado em dois mágicos indianos, Robert-Houdin passou a desenvolver uma rotina de levitação que viria a se tornar famosa: “The Ethereal Suspension”, incorporando uma novidade científica da época – o éter anestésico.



Outro número de grande sucesso era o Portfólio Encantado, no qual Robert-Houdin retirava de uma pasta de grandes dimensões toda sorte de objetos, animais e, ao final, seu próprio filho.

Com a conflagração da Revolução Francesa de 1848, Robert-Houdin viajou para a Inglaterra, vindo a se apresentar no Palácio de Buckingham para a corte da Rainha Vitória. Robert-Houdin se apresentou nas principais cidades inglesas durante um ano e meio, quando então retorna para a França e compra um novo espaço para desenvolver e apresentar suas mágicas.




Foi nesta época que Robert-Houdin fez uma turnê pela Bélgica e Alemanha, e também foi convocado pelo governo da França para uma importante missão militar na Argélia.




A Argélia, colônia francesa, passava por turbulências internas, os “marabouts”, uma facção de religiosos fanáticos, estavam estreitando relações com os principais líderes tribais argelinos, arregimentando forças para romper os laços de submissão com a França. Preocupado, o governo francês imaginou que Robert-Houdin poderia demonstrar seus poderes mágicos para os líderes tribais argelinos, para assim se contrapor a influencia dos marabouts e prestar um grande serviço à França.
Robert-Houdin embarca para a Argélia, onde passa a fazer duas vezes por semana seus shows no Teatro Bab-azon. No dia 28 de outubro de 1816 Robert-Houdin se apresenta para os potentados das tribos do deserto algeriano, com vários tradutores espalhados pela plateia. Robert-Houdin tira balas de canhão de dentro de um chapéu vazio, insinuando o poder ilimitado das forças armadas da França. Robert-Houdin tira flores do chapéu vazio, insinuando o controle de um francês sobre a Natureza. Robert-Houdin faz uma moeda de prata sumir de sua mão e aparecer em um invólucro de cristal lacrado e suspenso sobre o palco, insinuando que até o mais protegido dos fortes poderia ser invadido pelas forças francesas.

Robert-Houdin aquiescia quando o público dizia ter ele poderes sobrenaturais, e desafia qualquer um que duvidasse de seus poderes.




E eis que um árabe musculoso se levanta da plateia e aceita o desafio, subindo ao palco. No centro do palco, uma caixa sobre o tablado. Robert-Houdin se aproxima da caixa e a levanta com apenas uma mão, olhando para o árabe, desafiando-o a fazer o mesmo. O árabe se aproxima, momento no qual Robert-Houdin fita-o nos olhos e de maneira grave diz ao árabe que a partir daquele momento a força do árabe seria a mesma de uma mocinha, apontando para a caixa sobre o tablado. O árabe se aproxima, segura a caixa e, de todas as maneiras, tenta levantá-la, sem sucesso. Resignado, o árabe abandona o palco desolado e humilhado, pois além de não conseguir erguer a caixa ainda tomou, ao final, um tremendo choque nas mãos. Para arrematar, Robert-Houdin faz uma pessoa sumir debaixo de um grande cone.

Em face da fama, Robert-Houdin é convidado a se apresentar no palácio perante os principais líderes árabes.

A missão estava cumprida: os algerianos se aquietaram, achando melhor não tentar enfrentar os poderes supernaturais dos franceses. A mágica volta como instrumento ancestral de poder.

Robert-Houdin pode agora voltar para casa.



Em 1858 Robert-Houdin publica seu primeiro livro – Confidences d’um Prestidigitateur – explicando a maioria de seus truques mágicos, embora muito do que tenha escrito não passasse de pura ficção. Era o primeiro de uma série de textos que viriam a ser publicados.



Robert-Houdin morreu com 67 anos de idade, em 13 de junho de 1871, de pneumonia, em sua casa em Saint Germain. Estava escrevendo um novo livro – Magie et Physique Amusante – que só viria a ser publicado seis anos depois.



Após a morte de Robert-Houdin, sua família ainda manteve o teatro de Robert-Houdin por 17 anos, até que fosse vendido para o filho de um sapateiro, Georges Mélies, que manteve shows de mágica em cena.

Em 1895 Mélies toma contato com a invenção dos irmãos Lumiére, aquilo que viria ser o cinema. Frustrada a tentativa de obter o direito de uso da nova invenção, Mélies fica sabendo de um inventor britânico que tinha criado algo semelhante à invenção dos Lumiére, conseguindo, enfim, trazer a novidade para o teatro recém adquirido da família de Robert-Houdin.





Não é difícil imaginar o impacto que causou o casamento dos então conhecidos métodos empregados na mágica e o surgimento da técnica cinematográfica.



Um exemplo é Cremação, na qual uma assistente deitava sobre uma plataforma, era cremada, surgindo um esqueleto em seu lugar, para depois reaparecer em um canto do palco.





Mas eis que estoura a I Guerra Mundial, o teatro é fechado e os lucros obtidos por Mélies se esvaem. Com o fim da guerra, Mélies reabre o teatro, mas aí os bons tempos já haviam passado.

Em 1924 o teatro no qual Robert-Houdin viveu seus melhores momentos foi demolido para a implantação do Boulevard Haussmann.

Mas o nome de Robert-Houdin ficaria perpetuado como nome de vários logradouros públicos e como um dos principais nomes da história da mágica.
Hoje em dia existe um Museu Robert-Houdin em Blois, cidade natal do mágico, vizinho ao castelo da cidade, tendo sido o museu inaugurado em 1966 pelo bisneto de Robert-Houdin.

No museu encontram-se vários itens pessoais de Robert-Houdin: os primeiros livros nos quais Robert-Houdin aprendeu os primeiros truques, os presentes que ganhou dos líderes árabes e boa parte de seus equipamentos mecânicos e científicos.
Observando tudo, uma estátua de cera de Robert-Houdin, segurando nas mãos uma lâmpada elétrica que ele criou anos antes de Thomas Edison apresenta ao mundo sua mais importante invenção.

17.6.10

Mágicos e Superação




Matthias (ou Matthew) Buchinger nasceu na Alemanha, em 1674, sem as mãos e os pés. Apesar desta deficiência, foi um dos mágicos mais famosos de sua época. Além de mágico, tocava mais de seis instrumentos, dançava músicas rápidas e fazia truques mágicos surpreendentes, além de ser um exímio caligrafista especializado em microcaligrafia. Na imagem abaixo está o detalhe do cabelo no auto-retrato acima, e pode se ver que os fios de cabelo, na verdade, são os versos de uma oração católica.






A Magic Magazine deste mês (vol.19, n. 10, Junho 2010) traz uma reportagem de Jamie D. Grant sobre o mágico canadense Madhi Gilbert, de 20 anos de idade, que tal qual Buchinger, também nasceu com as mãos atrofiadas.





Mesmo assim, Madhi tem espantado a comunidade mágica pelo alto nível de suas performances. Com os demais sentidos aguçados e com conhecimentos de psicologia comportamental e linguagem corporal, Madhi consegue fazer rotinas de grande impacto, inclusive com um baralho de cartas.
Indagado se se via como um mágico diferente dos outros, Madhi responde sem hesitação que “De fato não. Eu sempre fui assim e sou exatamente isto. Nunca fiquei pensando nisto. Quando acordo de manhã sinto fome como qualquer um...”. Provavelmente Madhi referia-se a fome do café da manhã, mas pode muito bem ser entendido como fome de viver.

16.6.10

Invenções


Por volta de 1780, Gustavus Katterfelto, nascido na Prussia, fazia apresentações curiosas, mesclando mágica e ciência.

Uma de suas apresentações consistia em projetar em uma tela imagens de microscópio com “500 insetos” em uma gota d’água. Também fazia palestras sobre filosofia natural e truques com dados, cartas, moedas, medalhas e copos.

. Seus espectadores incluía reis e rainhas, o Arcebispo de Canterburry, Samuel Johnson e o poeta William Cowper.

Katterfello, por seus conhecimentos, tratou várias pessoas gratuitamente quando uma epidemia de gripe assolou a Inglaterra.

Um dos truques mais curiosos era o desaparecimento e posterior aparição do rabo de um gato.

Katterfello produziu e vendeu o primeiro palito de fósforo.

15.6.10

O Mágico Pedófilo

NEW YORK (WABC) -- The man known as "Long Island's Favorite Magician" is under arrest and ready to be arraigned this morning. He is accused of secretly taping a mother and her two young daughters as they undressed.

Suffolk County police say Robert Infantino offered the mom and her two girls, ages 10and 14 a "free photo shoot."

One of the victims reportedly noticed a camera hidden in a box in the dressing room.

Infantino was arrested at his home on three counts of unlawful surveillance.

O Mágico Estelionatário de Idosos

Mágicos são presos após golpe em aposentado em SP


Na esperança de se curar de uma hérnia na virilha, um aposentado de 76 anos caiu em um golpe aplicado por um mágico em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Na terça-feira, o suspeito se passou por sobrinho do médium Chico Xavier, recolheu oito cartões bancários da vítima sem que ela percebesse e os usou em saques e compras. Ele contou com a ajuda de um auxiliar. No dia seguinte, o mágico Luciano de Souza Castro e o seu ajudante, Marcelo Alves Pinheiro, foram presos em um shopping na zona leste de São Paulo. Eles são apontados pela polícia como os autores do crime.



Para enganar o aposentado, a dupla usou um truque de mágica. A vítima, que pediu pra não ser identificada, contou que foi abordada por Pinheiro no corredor do supermercado. Ele questionou se o aposentado sofria de algum problema de saúde. "Eu disse que eu tinha hérnia na virilha, daí ele me perguntou se eu conhecia o sobrinho do Chico Xavier, que era muito bom para curar as pessoas." O desconhecido chegou a dizer à vítima que a mãe dele sofria de problemas no estômago e que foi curada pelo sobrinho do médium.


Depois disso, Pinheiro ligou para o comparsa e pediu que ele fosse até o supermercado. Os três se dirigiram até as proximidades da casa da vítima, em Carapicuíba, em um carro dos suspeitos. Segundo o aposentado, foi lá que Castro usou o truque de mágica para impressioná-lo. Ele pegou uma folha de caderno e mandou que o aposentado cuspisse nela. Em seguida, pediu uma moeda de R$ 1. "Eu não tinha e dei uma nota de R$ 2 para ele", contou.


O mágico então falou para o aposentado cuspir sobre a nota, colada na folha. Em seguida, jogou o papel no chão e pisou nele. Quando tirou o pé, a folha e a nota de dinheiro estavam sujas de tinta vermelha. "Ele (o mágico) me disse que era sangue e que isso era coisa de algum vizinho meu que queria me ver na cadeira de rodas ou no caixão", relatou o aposentado.


Após o truque, o golpista disse que faria um "trabalho" para a vítima, sem cobrar nada. O mágico pediu os cartões bancários do aposentado, que os entregou. Ele então fingiu ter embrulhado os cartões junto com quatro velas, mas os escondeu sem que a vítima percebesse. "Ele me disse para não abrir o pacote e não contar para ninguém. Depois falou que eu tinha de comprar ingredientes para fazer uma ''garrafada'' e levar esse pacote e os ingredientes na Avenida Alice, na terça que vem, ao meio-dia." O mágico deixou com a vítima anotações dos ingredientes da "garrafada" - alecrim, catuaba, babatemão, sene e cipó cruz - o endereço de entrega e um telefone celular.


O aposentado voltou para casa e, de noite, desconfiado, resolveu abrir o pacote de velas. Foi quando percebeu que no lugar dos cartões estavam pedaços de PVC. Ele guardava colado nos cartões bancários um papel com a senha de cada um. Na manhã seguinte, depois de uma consulta médica - ele será operado da hérnia no sábado - a vítima contou à esposa o que havia acontecido. Ela então avisou o filho do casal.


Prejuízo


O filho da vítima, um analista de sistemas de 39 anos, disse que as despesas feitas nos cartões somam R$ 5,4 mil somente em débitos. A família ainda não sabe se foram feitos gastos nos cartões de crédito. Foi o filho quem cancelou os cartões do pai. Depois de pegar um extrato bancário, ele viu dois débitos, de R$ 700 e de R$ 36, feitos em uma mesma loja de roupas masculinas em um shopping na zona leste. "Falei com o gerente, que me disse que a pessoa que havia gastado isso voltaria naquele dia para buscar sete calças que havia deixado na loja para fazer a barra."


Após confirmar que o débito havia sido feito no cartão do aposentado, a loja acionou a segurança do shopping. Quando Pinheiro foi buscar as roupas, foi detido. Com as descrições do carro e do segundo suspeito, os seguranças fizeram uma busca no estacionamento e encontraram Castro dentro de um carro. Um kit de mágica foi apreendido. A Polícia Militar (PM) foi acionada e encaminhou a dupla ao 30º Distrito Policial (Tatuapé), onde a ocorrência foi registrada.


05 de novembro de 2009
DANIELA DO CANTO - Agencia Estado

A Mágica e o Pastor Estelionatário

Pastor usa aparelho de mágica para fingir milagres

Maquininha dá choque, faz lâmpada acender sozinha e movimenta confetes.

Picareta foi preso no aeroporto de Uganda, na África.

A polícia de Uganda, na África, prendeu um pastor que enganava os fiéis com um acessório normalmente usado por mágicos. Obiri Yeboah, que é de Gana, foi detido no aeroporto da capital, Kampala. O aparelho se chama “Eletric Touch” (toque elétrico), e é vendido em lojas de mágica ao lado de outros truques baratos.

Uma loja on-line anuncia assim o apetrecho: “Com um simples toque, faça uma lâmpada fluorescente acender e apagar, faça confetes se moverem, faça uma colher dar choque em um voluntário”.

“As pessoas podem ser enganadas e pensar que isso é um milagre”, disse o chefe de segurança do Departamento de Aviação Civil Herman Owomugisha.

O pastor-mágico é dirigente de uma das várias igrejas pentecostais de Uganda, e ganha muito dinheiro oferecendo cura para doenças ou ajuda divina para problemas financeiros.

(in http://noticias.gospelmais.com.br/pastor-usa-aparelho-de-magica-para-fingir-milagres.html)

Mágico Embriagado no Volante

Mágico dirige embriagado e quase cai no rio em Curitiba

Um homem, que se diz mágico, quase causa uma tragédia em Curitiba, no Paraná. Embriagado e com cartas de baralho nas mãos, ele perdeu a direção do veículo que dirigia e quase caiu no rio ao lado da rodovia.

Os bombeiros foram ao local do acidente e tiraram o homem do carro sem ferimentos.O mágico foi detido e levado a uma delegacia.

(in http://noticias.r7.com/rio-e-cidades/noticias/magico-dirige-embriagado-e-quase-cai-no-rio-em-curitiba-20100604.html)

O Mágico Batedor de Relógios

Preso falso mágico acusado de roubar relógios em truque

Um suposto mágico foi preso na tarde desta quinta (12), em Campos do Jordão, acusado de roubar um relógio de um senhor de 51 anos durante apresentação de show no último dia 9, na praça do Capivari, durante o Festival de Inverno de Campos do Jordão. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Eduardo José Saldanha, de 30 anos, tentou vender o relógio roubado, da marca suíça Vacheron Constantin, na mesma loja onde a vítima teria comprado.

O proprietário da loja chamou a polícia, que encontrou junto com o falso mágico outros três relógios e objetos para realização de truques de ilusionismo. Ainda segundo a SSP, a vítima não havia percebido que seu relógio havia sido furtado durante a apresentação.

Fonte: Agência Estado 13.07.2007

Iconografia Primitiva - Cups and Balls

A primeira representação conhecida de uma rotina de mágica - Cups and Balls - foi descoberta nas paredes de uma pirâmide egipcia, na câmara mortuária em Beni Hasam. A pintura original, datada de cerca de 2.500 AC, encontra-se atualmente submersa em razão da inundação ocorrida em 1966 na execução do Nile Reclamation Project.

Trata-se, portanto, do primeiro registro de uma mágica sem fundo religioso, para entretenimento ou aposta.

Hieronymus Bosch retratou um mágico fazendo cups and balls - The Conjurer (1475-1480). Note que o homem no canto esquerdo esta subtraindo o outro homem enquanto ele está distraido pela apresentação.




Cenas como esta podem ser vistas a qualquer dia na Praça da Sé.

Dai Vernon, The Professor, fazendo uma rotina de cups and balls:

Autômatos

Magica e ciência sempre andaram juntas. Os mágicos são denominados os "cientistas do show business".



A grande maioria dos pioneiros na mágica antes haviam trabalhado em ofícios relacionados a física, química, mecânica (relojoaria),etc..

Na verdade, desde a antiguidade, na época dos faraós, a ciência era empregada como magia de modo que os sacerdotes pudessem manter o poder que tinham. Estátuas falantes, fogos espontâneos, portas que se abriam sozinhas, instrumentos que tocavam sozinhos eram obtidos através de princípios científicos de hidráulica, ótica mecânica e termodinâmica.


No final do século XVIII um mágico - Jacob Philadelphia - viajou pela Irlanda, Portugal, Espanha e Europa Central exibindo vários autômatos: "Bacchus", que segurava uma barril que era enchido com água e vertia vinho; "Mágico Egito", que adivinhava cartas e problemas aritméticos. Goethe e o poeta Schiller assistiram as apresentações, tendo Goethe pouco depois escrito "Fausto", que se baseou na lenda de um mágico alemão do século VXI.

Robert Houdin, mágico francês considerado um dos pais da arte da mágica, quinze anos antes de Thomas Edison inventar a lâmpada incandescente, projetou e desenvolveu o primeiro sistema elétrico de segurança, instalando-o em sua propriedade em St. Gervais, França. Quando o relógio principal da casa marcava meia-noite, os alarmes eram automaticamente acionados, de modo que caso uma janela ou porta fosse forçada, um sino de alerta soava. Quando um visitante acionava um dispositivo no portão de entrada da propriedade, um sino tocava na casa principal. Robert Houdin, na mesma época, instalou uma bateria e um circuito elétrico para iluminar a sua casa em ocasião da primeira comunhão de sua filha.


Em particular, a relojoaria forneceu os principais conhecimentos para aquele que seria o maior sucesso dos mágicos na virada do século XVIII para o XIX, e que seria o predecessor dos modernos robôs e maquinas de auto-atendimento: os autômatos.

O primeiro e mais famoso autômato foi criado em 1769 por um barão húngaro – Wolfgang Von Kempelen – e se chamava “Turco – o Jogador de Xadrez”, tendo intrigado por décadas, pessoas como Edgar Allan Poe e Benjamin Franklin.




Como o próprio nome diz, tratava-se de um autômato (com a ajuda de alguns truques) que jogava, e bem, xadrez com os espectadores.





Outro famoso autômato de Robert-Houdin, que inclusive apareceu no filme “O Ilusionista”, era a Arvore de Laranjas.





Outro autômato que se tornou famoso foi “Psycho”, criação de John Nevil Maskelyne, entre 1873-1874.



Tratava-se de um autômato que adivinhava as cartas escolhidas pelo espectador, às vezes dava umas tragadas, soletrava palavras através de cartas com o alfabeto e resolvia problemas matemáticos com cartas numéricas. Maravilhou reis e rainhas da Europa.

Muitos outros autômatos surgiram nesta esteira, no mais das vezes com intuito meramente decorativo e de entretenimento.



A arte e a ciência mais uma vez caminhavam juntas.

14.6.10

Kellar no Brasil





HARRY KELLAR nasceu em 11 de julho de 1849 nos Estados Unidos e tornou-se uma lenda pelas grande apresentações que fez entre o final do século XIX e o início do século XX.
Kellar esteve no Brasil em 1875, fazendo apresentações e no Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, integrando a trupe dos The Davenport Brothers and Fay.


The Davenport brothers and William Fay, with their spirit cabinet

Cambistas venderam os ingressos pelo triplo do preço.

Dom Pedro II compareceu à estreia. E voltou ainda em duas outrass apresentações. Durante a turnê Kellar conseguiu uma boa grana.

O navio – “Boyne”, do Correio Real Inglês – no qual Kellar havia embarcado dezessete dias antes para levá-lo do Rio de Janeiro a Inglaterra, em 13 de agosto 1875 bateu em uma pedra e naufragou na Baía de Biscay, levando consigo todo o equipamento e pertences pessoais de toda equipe, incluindo Kellar (aparatos, roupas, mais de 2000 dólares, moedas de ouro e prata, diamantes brutos brasileiros), restando-lhe apenas a roupa do corpo e um diamante bruto.
E se não bastasse, assim que chegou em terra firme ficou sabendo que o banco no qual depositava suas finanças havia falido: o único diamante que havia sobrevivido ao naufrágio teve que ser vendido.
Após, Kellar conseguiu se reerguer, inclusive graças a um bom dinheiro que havia sido remetido do Brasil pelo correio e que graças a morosidade do serviço postal evitaram que já estivessem no banco quando da falência.
Kellar ainda embarcaria, alguns anos após, desta feita com sua própria turnê, para um novo giro que incluiria a América do Sul.
Mas em razão do fracasso de público em Cuba, a turnê acabou por ser cancelada e Kellar retornou ao Estados Unidos. Kellar morreu em 3 de março de 1922, vitimado pela gripe influenza.

Seu maior discípulo era aquele que viria a ser para muitos o maior mágico de todos os tempos – Houdini.


Harry Houdini (standing)and Harry Kellar (seated)


Neste filme há registro raro de Kellar e Houdini juntos.